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  <title>Ardeu a Viola</title>
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  <pubDate>Wed, 11 Oct 2006 19:15:18 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://www.clinicajorgemoura.com/images/velhinho.jpg&quot; alt=&quot;velhinho&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Acredite-me, acredite-se, dê-se crédito, deposite-se, penhore-se no ourives da esquina, mas antes de lá ir, pinte tudo de purpurina, faça o gosto à tia Lina, oculte a verdade revelando-se alguém cheio de vontade, despreze o jade e finja ouro, venda casquinha: Coloque a cruz no formulário onde diz: &quot;usadinha&quot;.&lt;br /&gt;Faça, desfaça, copie, picote, rasgue, rascunhe, dobre e amasse, trespasse e arrote, confirme e aborte, calque, decalque, rasure, imprima e deprima, goste, aposte, cosa, descosa, a renda proibida da sua esposa, ou até de uma prima, pintada a traços grossos de terebintina, e faça muito calor, faça chuva ou faça sol, rime, destine, atine duma vez, utilize haxixe, faça-se feliz, ofereça-se a flor que sempre quis, amor de pétala de liz, fique muito nervosinho e diga:”Como diz?”, &lt;br /&gt;Ouça, oiça, parta louça, a loiça, venda o oiro e a prata, tesoiro de lata, seja ouro e laca, e pinte-se de muitas cores, uma por cada um dos seus amores, de fantasia, de pechisbeque, não apenas as muletas e o aluquete, mas as algemas e a lataria, mais o garrote e torniquete, que esta corrida, a sugar-lhe a vida, bilhete de volta e ida, a piscar-lhe o olho num beco, a espiá-lo da janela, a rir-se dentro de casa, a fingir que não vive nela, a montar-lhe uma esparrela, uma esperinha junto ao portão, e o Sr. sem fato nem gravata, a fazer trapézio sem rede, Vê-de! Inclinem as retinas, espremam tangerinas, e prestem atenção à poça que ele derramou por essa moça, atenção que patinas, equilibrado e sem mãos, e sabe como? &lt;br /&gt;Metidos os pés pelas mãos, meta a moeda na ranhura, inflame um cometa de ternura, mas não cometa a bravura, de se apaixonar, assim sem mais menos, que vida já lhe foi dura e serviu-se duma urtiga, mãe gorda que castiga, e na mão engordurada antes estivesse uma espada, que a verdade é bem mais dura, é uma lacuna que perdura, cruza os dedos e jura, por Jesus, pelos pastorinhos, pelas ovelhas imaculadas (que também elas lhe pareceram sagradas na sua pose bucólica de repasto desinteressado que ainda hoje lhe causa espécime e manifesto desagrado) &lt;br /&gt;Saltem-se as ovelhas, volte-se à vaca fria, está mais gordo, quem diria, casado com uma espia, periscópio do quotidiano, estroboscópio de fulano, nem ao épico jumento do presépio interessa o obséquio perpetrado por sua dona, que ao vizinho ofereceu, tudo o que era seu, a dona, que lhe vendeu tudo o que deus lhe deu, voltemos à estaca zero, o embaraço que quero discutir é o amasso que se faz sentir à noite na respiração que lhe abranda ao ritmo da alergia ao gato, quero que saiba do x-acto perdido durante a cirurgia, que o seu médico bebia, e era um frustrado jogador de canasta, vendera a mãe numa subasta, ficou a perder, mas a seu ver, padece de cataratas, deixaram-lhe os olhos num lago, inquinado e pornográfico, de dor esparramada, sem ser possível camuflar nada, até esta ruga de expressão dos tempos em que se ria contribui para a orgia do empardecer do seu semblante, frase mui interessante, por todo o texto aplaudida, desde logo se percebe onde se deve fincar a sebe, hastear a bandeira seguir o curso da moedeira até chegar à plebe, real sentimento de desgraça rir muito e não ter graça, senão aquelas disparatadas, que servem de isco para as entradas, com as quais, confesse lá Sr. Dr., conquistou por variadas vezes ao amor, sempre com o seu jeito maroto, todas lhe caíram no goto, até que um dia, gordo e afrontado, deu por si nauseado com a manifesta ingenuidade de se sentir velho para a idade, erro crasso e entrevante pois o verdadeiro bom amante não evita ser amado. Que a vida não tem hora nem fado, mas ainda assim há quem chegue atrasado.</description>
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  <pubDate>Thu, 18 May 2006 03:53:57 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/Untiggtlbbbrrrd-1.jpg&quot; alt=&quot;db&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Aceitei um envelope fechado e com ele dei por pagos os meus sonhos. Ando com medo. Nunca me convenceram as alquimias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu traíste-me. Mas não tens culpa. Porque o que condiciona o teu comportamento e em ultima análise o que te distingue enquanto pessoa são apenas duas coisa: As tuas experiências passadas e o teu património genético. &lt;br /&gt;Se naquela altura vacilaste (chamemos-lhe assim, vacilar) e foi porque as tuas células o ditaram, não tens culpa. &lt;br /&gt;Ou então, foi a educação que tiveste, aliada àquela experiência aos 6 anos de idade na qual o teu pai te deixou 30 minutos sozinha na escola à espera dele. Ficaste sozinha no átrio a experienciar um sentimento de abandono tão brutal que te deixaria para sempre com a sensação que de que mais tarde ou mais cedo alguém te haveria de falhar daquela forma outra vez. Mais tarde, aprendeste a lidar com isso antecipando quase sempre esse sentimento e deixando no átrio os teus amantes antes que eles o fizessem. Não tens culpa. &lt;br /&gt;Há um livro de Dostoievski chamado “Culpa e Castigo” no qual o personagem principal passa o tempo a fugir de um crime que cometeu, para no final se aperceber de que necessitava do castigo para se sentir perdoado por dentro. &lt;br /&gt;Há outro, “O Processo” de Kafka, em que o tipo passa o tempo todo a tentar encontrar a explicação para o seu castigo. &lt;br /&gt;Como vês é antinatural deixar um sem o outro. É difícil, deixa-nos apreensivos. &lt;br /&gt;Há um outro livro, chamado Bíblia, no qual dois amantes vivem num paraíso de maçãs e serpentes até que gaja decide fraquejar (decide fraquejar…), o que por artes e manhas faz com que sejam recambiados para aqui, para onde vivemos nós, e por acaso, só por acaso, até somos descendentes deles.&lt;br /&gt;Por isso, desculpa: não te vou culpar, isso far-me-ia sentir mal e num castigo a sério o carrasco não tem sentimentos. Tenho a certeza de que arranjas para ti mesma um castigo à medida da miséria que és. E depois, perdoar é um pouco arrogante, é estar por cima do outro, e estou certo de que nos tempos que correm a ti não te falta gente por cima .&lt;br /&gt;	Nós, o paraíso já não temos. E eu já não tenho gosto pelos livros. Talvez porque neste momento sinta que necessito de tempo para procurar o meu crime. A ti sugiro que procures um bom castigo. No final podemos discutir tudo isto juntos e trocar impressões desapaixonadas e distantes sobre a velha e poeirenta literatura do leste da Europa.</description>
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  <pubDate>Fri, 30 Dec 2005 06:08:20 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/sal.jpg&quot; alt=&quot;db&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci-me de dizer obrigado ao padeiro. Não há-de ser nada e o que quer que seja compõem-se. Amanha já cá estou outra vez, dobro-lhe o sorriso e a encomenda. Às 7 da manha, quando se vem duma directa o mundo é infinitamente mais simples, talvez por estarmos mais acordados que toda a gente. &lt;br /&gt;Aquele gordo ali, a mamar dois moletes com manteiga, se se desleixa vai afundar a cara na meia de leite. &lt;br /&gt;O azeiteiro do jornal desportivo toma um café, sem açúcar sem nada, e bebe-o como se dum shot se tratasse. Sem espinhas. &lt;br /&gt;A velhota que cheira a mofo vive com uma filha marreca, cuida de seis netos gordurosos. A seguir há-de ver se compra cevada para o lanche e mais tarde ligará a tv nos programas matinais. Assim passará a sua manhã. Assim passará a tarde e a noite, e os seus últimos 13 anos, antes de ser levada a comer pelos vermes. Os bichos a rabiar hão-de achar piada ao caixão de pinho. &lt;br /&gt;Antes de sair, a menina bonita dos bolos. Peço o que tenho a pedir olhando-a fixamente nos olhos na esperança de que me entenda. Não, eu não quero croissants, mas decerto ficaria mal dizer “eu quero é que venhas comigo, te sentes em minha casa, no meu sofá, e me digas baixinho qualquer coisa, tem é de ser baixinho porque baixinho é amor, e disso é que eu ando necessitado” Talvez leve também um lanche misto.&lt;br /&gt;Esqueci-me de dizer obrigado ao padeiro. Não há-de ser nada e o que quer que seja compõem-se. Há dias assim. Simples.</description>
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  <pubDate>Thu, 29 Dec 2005 05:52:44 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/flutua.jpg&quot; alt=&quot;dab&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Estamos em Junho e tu ainda tens em cima da mesa as nozes do Natal. Claro que nunca tiveste um quebra nozes e vais parti-las todas com os dentes, ou então, esmagar uma contra a outra se o cansaço to permitir. &lt;br /&gt;Estamos em Junho, o calendário ostenta um enorme 6 por cima duma pintura campestre executada com o pé por um deficiente habilidoso.</description>
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  <pubDate>Wed, 29 Jun 2005 05:00:02 GMT</pubDate>
  <title>Parabéns!</title>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/diploma2.jpg&quot; alt=&quot;diploma&quot; /&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 25 Jun 2005 06:36:38 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/m.jpg&quot; alt=&quot;m&quot; /&gt; &lt;br /&gt;7 anos de namoro, 4 de casados. O Mário foi o meu único homem. O único a ver-me nua. O único com quem fiz amor. A ele perdoei-lhe sempre tudo. Aceitei sempre tudo. Até aceitei quando me pediu para perder peso a espetar agulhas no corpo apontadas por aquele doutor chinês. Eu que tenho tanto medo de agulhas. Eu pago, disseste, e eu, adivinhando ali um gesto de ternura escondido acedi. Aqui há dias apanhei uma carta doutra no bolso do casaco dele. Um clássico, parecia um filme dos maus. Disse-me que sim. Confessou tudo e ainda me culpou. Ela também casada, ela também com um filho. Fizeram amor na casa de banho. Isso nunca tínhamos feito. Embora o tivéssemos sempre feito de todas as maneiras e feitios. Eu sempre tive muito medo que ele não gostasse de mim. Desde que ele me procurasse; isso era o mais importante. No meu carro escusava de tê-lo feito. &lt;br /&gt;Sabes Mário, o puto disse-me há dias que sabia que eu andava triste porque me tinha visto chorar. Se calhar tu não sabes, porque faço das tripas coração para não chorar à tua frente. É que eu sei que detestas choradeiras e também detestas que eu faça muitas perguntas e berre muito. Eu sei disso Mário, e portanto eu nunca choro, e nunca berro e nunca faço nada, Mário. O médico de família receitou-me uns comprimidos para dormir, que nem isso eu faço bem agora, espero que não sejam de farinha, é que as coisas cá por dentro não andam a fluir muito em, não há necessidade de espessá-las.&lt;br /&gt;Disseste-me que ela era pior que eu na cama. Era gorda e alta e era feia. Não sei o que é pior. Fiz sempre o que tu querias na cama. Era bom quando fazíamos amor? Eras sempre um animal. Sempre em cima de mim sempre em todo lado, quando é que isso se perdeu, que dor de cabeça. Tenho de telefonar à minha mãe; está decidida a levar-me à bruxa. Hoje tenho de dormir mais de 3 horas. Até os colegas de trabalho avisaste de modo a que quando eu ligasse nada se passasse. Tudo em meia dúzia de semanas, que vou fazer à minha vida? Soltas as palavras como se já não me conhecesses como se já não partilhasses nada comigo. Excepto a culpa, porque essa, tu não tinhas o par de tomates necessário para a carregar sozinho. Alias, desconfio que a carta deixaste-a de propósito no bolso. És uma merda Mário. E agora queres o divórcio, suponho que também queiras a tua caixa de brinquedos de volta, os teus vinte anos, o teu primeiro amor? Temos um filho juntos porra!&lt;br /&gt;As lágrimas outra vez, tu não gostas já sei. Vou enxugá-las, Deus nos livre de tu sofreres ao ver-me dorida. Vou dizer-te que não dói nada, como da primeira vez na casa da tua mãe, no quarto dos teus pais. Não doeu nada Mário, és tão meiguinho.&lt;br /&gt;Eu faço tudo para não ficar sozinha. Há quanto tempo é que eu não durmo? Já não consegues dizer que me amas. As palavras já não te saem e eu não sei porquê. Eu faço o que for preciso mas não me deixes sozinha, meu merdas. Vir com papéis de divórcio a falar de tudo com a maior das naturalidades, até tens coragem de me dizer que podemos lucrar em termos de impostos, não te importas de me deixar a casa. Tenho que certeza que lá deixas o filho também e toda a culpa e responsabilidade. Espero que te enforques. Se me deixares sozinha, vou dar em doida, vão duplicar-me a dose de farinha. Ontem esqueci-me do teu filho na banheira. Quando o miúdo chamou por mim estremeci de alto a baixo. Tenho muito medo, Mário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Li uma história ao Francisco antes de ele adormecer, tal como faço todas as noites, antes de ser rejeitada por ti. No final ele disse-me: Conta outra, mãe. Essa história não é boa para dormir.</description>
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  <pubDate>Thu, 02 Jun 2005 22:09:59 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/Untiytle141d-1.jpg&quot; alt=&quot;descrição&quot; /&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 02 May 2005 02:45:53 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/luckle.jpg&quot; alt=&quot;descrição2&quot; /&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 02 May 2005 02:45:26 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/dfdf.jpg&quot; alt=&quot;descrição1&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, penso que a minha vida é governada por um karateca louco do qual eu fujo, e que devagarinho que vai dando porrada. Outras vezes, o karateca faz-me festinhas.</description>
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  <pubDate>Sun, 17 Apr 2005 21:05:23 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/2221.jpg&quot; alt=&quot;2221&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Desde que aquele autocarro partiu tudo se liquefez. E a todo custo prendo as coisas boas ao meu peito. Sabes, o álcool que todas noites me queima o fígado é o formol que conserva sem mácula todas as memórias que tenho tuas.</description>
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  <pubDate>Sun, 17 Apr 2005 21:03:53 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/2222.jpg&quot; alt=&quot;2222&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Diz o que tu queres. Mas tens de investir nela.</description>
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  <pubDate>Sat, 09 Apr 2005 02:15:34 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/fbfbfbfbf-1.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois larápios levaram-na para as colinas após haverem levantado tudo o que podiam do seu cartão de Multibanco. Desentusiasmados, vacilaram no momento de a violar. Após acesa discussão, decidiram-se a fazê-lo (mas só um bocadinho) para não lhe rebentar com a auto-estima.</description>
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  <pubDate>Thu, 07 Apr 2005 00:10:44 GMT</pubDate>
  <title>Voto útil</title>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/23s.jpg&quot; alt=&quot;deição&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Programa eleitoral se for eleito: Parricídio na maternidade. Genocídio dos maiores de idade. Suicídio da saudade.</description>
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  <pubDate>Thu, 07 Apr 2005 00:08:47 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/22s.jpg&quot; alt=&quot;d&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Assim como assim, pegaste no casaco e disseste boa-noite. Olhar vidrado de ódio, alma ensopada na fé, isto não vai custar nada e amputaste-te a nós. Foi uma cirurgia limpinha, tipo faca quente na manteiga. &lt;br /&gt;Calcei um par de luvas diferente por cada carta que te escrevi. E as canetas, os papéis, e as mentiras, foram sempre diferentes em cada carta que te escrevi. Porque eu sou uma criança do caralho, mas pelo menos tenho imaginação. E pensei que isso bastava.&lt;br /&gt;Volvidos tantos anos ainda a cicatriz ornamenta o meu peito. E já agora, minha puta, vou-te mandar a conta da loja das plantas. As flores do jardim em frente nunca mais deixaram de cuspir labaredas de ódio. Quando lhes pergunto porquê, guiam as pétalas contra o chão, querendo com isto dizer que desejam sufocar, porque deixaram de ser pisadas por ti. Mas não te chateies. Os malmequeres são porreiros, mas às vezes conseguem ser muito picuinhas. É só isso. De certeza que são eles que têm a culpa.</description>
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  <pubDate>Mon, 25 Oct 2004 12:31:24 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/%2B%2B%2B%2Bog%20copy.jpg&quot; alt=&quot;doggy&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Vinha podre de bêbado quando encontrou o cachorro na rotunda onde o deixara. Saiu do carro. Antes de o esventrar, ainda o cão teve tempo de dizer “Filho da puta, eu amei-te como ninguém&quot;.</description>
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  <pubDate>Fri, 22 Oct 2004 21:36:45 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/corre.jpg&quot; alt=&quot;run&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz o seguinte: Levanta o corpo da cadeira que o teu rabo deixou quente. Pega no casaco e diz boa noite. Foge depressa e nunca mais te deixes apanhar. Amanhã estarás longe e isto não passara de um passado enublado já sem dono. Se me pedires, as memórias destacar-se-ão de ti e colar-se-ão à alma de outra pessoa. Tu, vazio, atrairás para dentro de ti aquilo que a sorte te trouxer. Mas atenção: Não fales a ninguém da minha existência.</description>
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  <pubDate>Fri, 15 Oct 2004 00:47:48 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/amanha.jpg&quot; alt=&quot;tomorrow&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje levantei-me, fui aos correios, paguei um selo e colei-o na testa. &lt;br /&gt;Disse bem firme: &quot;Primeiro vou querer que me embalem. Depois, é favor enviar-me no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio&quot;&lt;br /&gt;O velhote atrás de mim escacou-se a rir.</description>
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  <pubDate>Thu, 07 Oct 2004 18:08:15 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/mao2.jpg&quot; alt=&quot;mao&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tome-me o pulso Sr. Dr. Veja bem com que linhas me cosi. Os pontos todos mal dados. &lt;br /&gt;- Foi por andar de peito nu…&lt;br /&gt;- Desconfio muito de anestesias.&lt;br /&gt;- …que ele se lhe crivou de balas. &lt;br /&gt;- Há esperança? &lt;br /&gt;- Tem a alma a derramar-se. Está a tingir-me a alcatifa. &lt;br /&gt;- Quero um remédio eficaz: um astro descontrolado em excipiente de orvalho.&lt;br /&gt;- Para si, meu caro, nem a faca.&lt;br /&gt;- Nem a faca?&lt;br /&gt;- Sabe, a cirurgia da aorta não passa dum placebo.</description>
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  <pubDate>Wed, 06 Oct 2004 17:38:32 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/carteira%20de%20fosforos.jpg&quot; alt=&quot;matches&quot; /&gt;&lt;br /&gt;A alma pronta a ser leiloada: a quem me vender esta noite?&lt;br /&gt;(Quero uma dona bondosa. Que se chame nuvem. E finja deixar-me guiá-la.)&lt;br /&gt;Paremos o momento seguinte e trocemos dele antes que aconteça. Enalteça-mo-lo mais tarde. Este olhar do céu que antecede o grande vôo. Voar, por vezes não é mais do que forçar as asas.</description>
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  <pubDate>Tue, 05 Oct 2004 17:29:15 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/verao2.jpg&quot; alt=&quot;summer&quot; /&gt; &lt;br /&gt;Hoje vai recomeçar a chover e o meu pátio vai soltar o seu cheiro a terra. Se calhar vou ter de ligar o termóstato dos peixes do aquário. É frio outra vez. E a minha avó esta à espera de morrer no hospital.</description>
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  <pubDate>Tue, 05 Oct 2004 17:23:57 GMT</pubDate>
  <title>Ando a ver se dou a volta a isto.</title>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/srgouveia.jpg&quot; alt=&quot;Sr Gouveia&quot; /&gt; &lt;br /&gt;O senhor da cafetaria em frente. Há quatro anos que cá vivo e nunca soube o seu nome. Sempre a mesma expressão. Só muda a camisa. Deve saber tudo sobre mim. Era bom que soubesse. Sabia tudo sobre mim e mantinha os seus modos serenos e impávidos. Sabia tudo sobre mim e perdoava-me tudo com um sorriso paternal nos lábios. Nada na minha vida o haveria de ter assustado. &lt;br /&gt;Um café curto, por favor. &lt;br /&gt;Já aí vinha a chávena. Adivinhou o que eu queria.</description>
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  <pubDate>Tue, 05 Oct 2004 17:12:17 GMT</pubDate>
  <title>Alguem me pinte este desenho com as cores da minha infância.</title>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/Untitleggd-1%20copy.jpg&quot; alt=&quot;duende&quot; /&gt; &lt;br /&gt;Quando era miúdo a vida tomava o seu tempo. Mais tarde, aos meus treze ou catorze anos, chegou mesmo a atrasar-se algumas vezes. Hoje, chega quase sempre adiantada e raramente espera por mim. &lt;br /&gt;Quando eu era novo, tudo chegava lento e calado, e também chegava feliz, e eu demorava-me eternamente a descobrir as entrelinhas da vida, pasmado com a novidade de mim mesmo. Actualmente nenhuma das minhas ocupações contempla algo do que descobri na infância. Contudo foram esses os anos que me fizeram. Havia tudo por descobrir e as horas duravam mais. Eu abrandava o mundo para poder compreender. E depois calava tudo para me concentrar. Cada instante sabia-me pela vida.&lt;br /&gt;Agora, tenho de viver o dobro no mesmo tempo para me sentir da mesma forma. E tenho de procurar bem para encontrar as coisas que não entendo. E Deus me livre de parar para pensar. De qualquer forma, acho que já não sei abrandar o mundo como dantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era miúdo a vida tomava o seu tempo. Vi-te a jogar ao lencinho: quem se mexer perde.</description>
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  <pubDate>Mon, 04 Oct 2004 16:50:04 GMT</pubDate>
  <title>Um dia saio assim à rua, vou a tua casa e mijo-te no tapete. :)</title>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/redcross.jpg&quot; alt=&quot;fucker&quot; /&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 03 Oct 2004 06:39:21 GMT</pubDate>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/Untitleffeed-1.jpg&quot; alt=&quot;descrição&quot; /&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 02 Oct 2004 05:34:44 GMT</pubDate>
  <title>back;</title>
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  <description>&lt;img src=&quot;http://armazemdopedro.com.sapo.pt/Untitled-1%20copy.jpg&quot; alt=&quot;duh&quot; /&gt;</description>
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